Grandes exposições

Ao longo do mês de outubro, a Fundação Iberê Camargo mantém duas grandes exposições abertas ao público. Uma é a Dentro do Traço, Mesmo - Coleção do Programa Artista convidado do Ateliê, com curadoria de Teixeira Coelho, curador-coordenador do Masp, professor da USP e autor de diversos livros e catálogos de arte. A outra é a mostra Iberê Camargo - Uma Experiência da Pintura, curadoria de Virginia Aita, pesquisadora em estética, doutoranda em Filosofia pela UFRGS, com cursos de Arte e Teoria pelo Barnard College da Universidade de Columbia, em Nova York. As duas exposições podem ser visitadas, com entrada franca, de terças-feiras a domingo, das 12h às 19h; e às quintas-feiras, até as 21h, até o dia 29 de novembro. A primeira reúne grande parte das gravuras produzidas por diversos artistas durante os nove anos do Programa Artista Convidado do Ateliê de Gravura. Desde 2000, esta iniciativa, coordenada por Eduardo Haesbaert, que foi gravador de Iberê, trouxe grandes nomes da arte do país e do exterior para produzir gravuras em metal na mesma prensa utilizada por Iberê Camargo. Em nove anos, o Programa reuniu uma coleção de 158 obras produzidas por 64 artistas de diversas partes do mundo. Teixeira Coelho comenta a iniciativa. "Tratam-se de gravuras feitas por artistas das mais diferentes origens e técnicas que vêm ao programa da Fundação experimentar um meio que muito frequentemente lhes é praticamente novo. Com isso, ganham os artistas, que ampliam seu horizonte de expressão, e ganha a gravura, como modo de expressão, ao ser renovada por proposições que normalmente não seriam feitas por um gravador que se serve unicamente desse meio", entende o curador. Esta é a oportunidade que reúne, de uma só vez, o maior número de peças da coleção. São 97 gravuras, produzidas por 56 artistas. O diferencial é que elas são expostas sem o suporte de uma moldura e sem vidro protetor. "Isso permite um contato direto entre o olho do observador e a natureza do papel, com todas suas características próprias acrescidas daquelas que o processo da gravura lhes impõe. É uma experiência única em um centro de exposições. Algo que só se consegue habitualmente no próprio ateliê", destaca Coelho, que também revela sua expectativa quanto ao reconhecimento dos visitantes. "Espero que o público dê o devido valor, que não é pequeno, a esse gesto de compreensão e ousadia da Fundação, que concordou com esse modo de expor as obras". A segunda exposição, com curadoria de Virginia Aita, pretende lançar um novo olhar sobre o conjunto do trabalho de Iberê. São 67 obras, entre pinturas, gravuras, guaches e desenhos, que destacam a busca existencial do artista retratada nas suas telas. A mostra é dividida em dois blocos. Um abrange as naturezas mortas e traz uma sequência lógica de quadros ligados entre si. "Nessa sequência procuro mostrar o diálogo intenso entre pintura e gravura em metal, para a qual Iberê transpunha técnicas altamente pictóricas", ressalta a curadora. O outro remete a uma fase mais melancólica do pintor e reflete sobre o vazio existencial e a finitude. "Uma das obras expostas - No tempo - me parece concentrar uma síntese única de seu trabalho, compondo um ciclista com carretéis e grafismos abstratos", finaliza Virgínia. Foto: Mathias Cramer Fundação Iberê Camargo Av. Padre Cacique, 2000 - Praia de Belas Fone: (51) 3247-8000 www.iberecamargo.com.br

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